Assembleia Parlamentar da OTAN: Ferro pede unidade no “mundo livre” face às ameaças dos regimes autoritários
11 de outubro de 2021

Assembleia Parlamentar da OTAN: Ferro pede unidade no “mundo livre” face às ameaças dos regimes autoritários

O presidente da Assembleia da República de Portugal considerou essencial a unidade do “mundo livre” esta segunda-feira, na abertura do plenário da 67.ª sessão anual da Assembleia Parlamentar da OTAN, e a “defesa coletiva, a gestão de crises e a segurança cooperativa”

O presidente da Assembleia da República de Portugal considerou hoje essencial a unidade do “mundo livre” – europeus, americanos e canadenses – face a “ameaças” de regimes autoritários “interconectados”, num discurso em que alertou para o desrespeito dos direitos humanos no Afeganistão.

Essas mensagens sobre segurança coletiva e democracia foram transmitidas por Ferro Rodrigues na abertura do plenário da 67.ª sessão anual da Assembleia Parlamentar da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte ou NATO, na sigla em inglês), em Lisboa, num discurso em que defendeu o caráter fundamental de “uma Aliança Atlântica mais forte, mais coesa e resiliente no exercício das suas tarefas centrais: A defesa coletiva, a gestão de crises e a segurança cooperativa”.

As primeiras palavras do presidente da Assembleia da República foram destinadas a sublinhar que Portugal pertence à OTAN “há 72 anos”.

“Nessa altura, não se podia dizer que a NATO fosse uma organização apenas de países livres, porque Portugal era nessa altura uma ditadura”, observou, numa nota de improviso, antes de se debruçar sobre a situação presente a nível mundial.

Segundo Ferro Rodrigues, vive-se “um tempo novo — um tempo inquietante, de simultaneidade estratégica e de ameaças interconectadas, de multipolaridade geopolítica”.

“Valores que são universais, de respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana, são secundarizados ou pura e simplesmente desprezados e suprimidos, incluindo em violação do Direito Internacional. Somos confrontados com a descaracterização democrática, tornada por vezes numa farsa por regimes autoritários e, até, com a rejeição da democracia como princípio, em detrimento de modelos autoritários de governação em que a liberdade individual não tem lugar”, advertiu.

Para o antigo ministro socialista, “este é um motivo acrescido para que se reforçar a coesão e resiliência” entre os países aliados.

“Nunca a expressão mundo livre fez tanto sentido. Cabe-nos defender a democracia, os valores democráticos e as suas Instituições”, sustentou.

Ferro Rodrigues classificou depois como “uma exigência” que a OTAN reveja o seu conceito estratégico adotado em Lisboa em 2010, há mais de uma década, afirmando que “muito mudou, de facto, no ambiente estratégico na última década”.

Entre essas mudanças, o presidente da Assembleia da República apontou “a deterioração do relacionamento com a Rússia desde 2014, o recurso às guerras híbridas” e o “surgimento da China como desafio sistémico”.

A importância crescente da região do Índico-Pacífico é hoje uma evidência: Na defesa da liberdade de navegação, na expansão da presença militar (sobretudo aérea e marítima), na pendência de diferendos sobre soberania, onde o critério que deve prevalecer é o do respeito pelo Direito Internacional e não o do facto consumado”, advertiu, numa alusão à recente crise diplomática entre Estados Unidos, Austrália e França.

No seu discurso, o presidente da Assembleia da República manifestou-se também apreensivo com a situação no Afeganistão, após o regime Talibã ter assumido o controlo do país com a saída das forças aliadas.

“É, por conseguinte, pertinente a afirmação clara, em agosto último, na reunião de ministros de Negócios Estrangeiros da NATO: Não serão permitidas quaisquer ameaças terroristas, que serão combatidas, com determinação, firmeza e em solidariedade”, frisou, antes de também reclamar um aprofundamento da cooperação a todos os níveis com África.

“É bom recordar: O Sul é prioritário. Sem paz, sem prosperidade, sem acesso à educação e ao progresso em África é a Europa que fica fragilizada”, defendeu.

Nesse sentido, de acordo com o líder do PS entre 2002 e 2004, é uma missão da Aliança Atlântica “trabalhar pela estabilização política e económica do Sahel e da África subsaariana”. “A parceria com a União Europeia é naturalmente a mais paradigmática. Ela é um parceiro único e essencial da NATO”, acrescentou.
Imagem: Mario Cruz/Lusa
Fonte: Leia a íntegra deste artigo publicado no jornal português Expresso, através deste link.