Empresários da Argentina cobram agilidade para a travessia da fronteira
13 de abril de 2023

Empresários da Argentina cobram agilidade para a travessia da fronteira

Segundo a Confederação Econômica de Misiones (CEM), demora nas pontes e aduanas provoca perdas econômicas para as cidades fronteiriças.

A cena já é bem conhecida: devido à demora para a passagem pela aduana argentina da Ponte Tancredo Neves, turistas e moradores locais desistem de ir até Puerto Iguazú ou saem com opinião negativa sobre a região. Tal situação reduz a integração e provoca perdas a setores como o comércio e o turismo.

Nessa quarta-feira (12/04/23), a Confederação Econômica de Misiones (CEM), que congrega mais de 30 câmaras de comércio da província argentina da fronteira, promoveu uma reunião na cidade de Jardín América, com o objetivo de debater soluções e cobrar, das autoridades federais do país, empenho para a resolução dos problemas.

“Queremos promover o Mercosul, mas somos uma máquina de impedi-lo. E o exemplo está na ponte entre Posadas e Encarnación. Não é possível que as pessoas fiquem até oito horas esperando para a travessia”, ressaltou Guillermo Fachinello, presidente da CEM, em declarações reproduzidas pelo jornal El Territorio.

Os pontos mais graves de estrangulamento no tráfego fronteiriço foram identificados na Ponte San Roque González de Santa Cruz, entre a capital da província, Posadas, e a cidade paraguaia de Encarnación; na aduana entre Bernardo de Irigoyen e Dionísio Cerqueira (SC); e na ponte entre Puerto Iguazú e Foz do Iguaçu.

“Estamos contando a realidade de Misiones para que o governo tenha um olhar mais federal”, reivindicou Fachinello. “O setor empresarial precisa de uma consideração especial, pois somos geradores de trabalho genuíno em todas as cadeias produtivas. Se agilizarmos as travessias, teremos mais vendas, mais atividade econômica e recuperaremos o intercâmbio cultural.”

A reunião da CEM teve a participação de candidatos que disputam as eleições provinciais de Misiones, marcadas para o próximo dia 7 de maio. O convite foi para engajá-los na busca por soluções, que passam pela adoção de tecnologia, flexibilização dos controles ou ampliação das equipes responsáveis pela verificação dos documentos.

Até o momento, o governo federal argentino vem mostrando-se inflexível quanto à possibilidade de diminuição no rigor da fiscalização, argumentando riscos para a segurança nacional. Em 2022, um estudo encomendado pela Câmara de Comércio de Puerto Iguazú apontou perdas milionárias provocadas pela burocracia fronteiriça.