Vice-Governador de Catamarca (Argentina) apresenta Corredor Bioceânico Ferroviário em universidades
15 de outubro de 2021

Vice-Governador de Catamarca (Argentina) apresenta Corredor Bioceânico Ferroviário em universidades

Rubén Dusso, vice-governador da Província Argentina de Catamarca, apresentou, em universidades, os benefícios do Corredor Bioceânico Ferroviário para a região

Catamarca promove os projetos como nova lógica econômica para a Argentina.

O projeto do Corredor Bioceânico vai tomando forma. Enquanto que, juntos ao Ministério de Transporte da Nação, já se estão instalando novas vias no município de Recreo para retomar o sistema ferroviário que permita avançar com o porto seco, atores do governo envolvidos no tema difundem a iniciativa e buscam novas adesões.

Entre eles o vice-governador Rubén Dusso, impulsor fundamental e defensor do projeto, participou de um encontro virtual organizado a partir da Oficina Sul-Americana UBA (Universidade de Buenos Aires) e da Oficina Metropolitana UNC (Universidade Nacional de Córdoba), em comemoração aos 20 anos do programa S.O.S. Ciudades, apresentando a professores e estudantes universitários de diferentes cidades da Argentina o Corredor Bioceânico Ferroviário Noa Centro (Noroeste argentino – Centro) através de Paso de San Francisco.

Dusso referiu-se à importância que o projeto atualmente representa para o norte argentino e as experiências de aproximação: “O projeto do Corredor Bioceânico hoje é uma das prioridades que se estabeleceram no Parlamento do Noa (Noroeste argentino), que formamos entre as províncias do Norte, e que agora se estende devido à formação do Norte Grande, que somando Noa e Nea (Nordeste argentino) reúne 10 províncias argentinas”, disso o vice-governador.

“Em todo este tempo, desde que assumiu Lucía Corpacci, e agora com o governador Raúl Jalil, criou-se uma relação muito mais estreita com a região de Atacama (Chile) e a região formada sob o nome de Atacalar, que se estendeu tomando parte as províncias do Noa, algumas províncias do Centro argentino, como Córdoba, Santa Fe e Entre Ríos, estabelecendo mais tarde contato com as províncias de Hunan, na China”, informou o vice-governador.

Ele acrescentou que do Oriente “vieram técnicos, visitaram as obras, um projeto preliminar foi feito, nos ofereceram financiamento, mas quando assumiu o presidente Macri e chegamos a falar com ele, acabou dizendo que o projeto era muito interessante, mas que era um negócio para a iniciativa privada. Ou seja, algo que inverte a matriz produtiva e que reverte as assimetrias, que abre a desconcentração, que permite que o país não tenha apenas uma saída para o Atlântico como também para o Pacífico, distante de um negócio para a iniciativa privada, deve ser visto como uma questão de Estado, assim como o disse nosso presidente Alberto Fernández durante a sua campanha, confirmando-o agora na última abertura de sessões ordinárias”.

Com relação ao atual tratamento plural do projeto, ele explicou que, com o recentemente criado FOVIRA, Fórum de Vice-governadores da República Argentina, presidido pela vice-governadora da província de Buenos Aires, Verónica Magario, existe uma comissão para tratar de cada política de estado decidida como prioritária por este Fórum, e Catamarca preside a do Corredor Ferroviário Noa-Centro.

Reparação histórica

Junto com a necessidade das obras férreas que o projeto implica, o vice-governador catamarquenho explicou o significado histórico que, segundo a sua visão tem a obra em si. “Falamos de uma reparação histórica porque as ferrovias aqui em Catamarca chegaram no início de 1900, chegando até Tinogasta e, de repente, assim como o nosso Presidente fala de desconcentração econômica e de recuperar as economias regionais, de que haja mais federalização, de que possamos romper com as assimetrias, houve outro governo que se ocupou, pelo contrário, da concentração econômica e de desperdiçar tudo o que tinha a ver com as economias regionais”, assegurou.

Ele lembrou que em 1978, em plena ditadura cívico militar “ergeu-se a ferrovia que chegava até Tinogasta” e, por isso, agora, as vias estão sendo recuperadas, “mas Catamarca e La Rioja ficaram um pouco de lado. Necessitamos que se recuperem vias, de Chamical a Patquía, de ali a La Rioja, logo a Villa Mazán, e de Recreo a Chumbicha, de ali a Villa Mazán e de aí a Tinogasta. Desde esse último ponto até adiante há uma distância de 250 quilômetros que é o que foi aprovado pela lei 8.293 em 1911 e não se realizou”.

Lembrou ainda que, em 1946, o ex-governador e legislador nacional “Vicente Leónidas Saadi apresentou um projeto do mesmo teor de 1911 e elaborou a lei 12.891, mas tampouco se materializou. Logo vieram diferentes gestões por parte inclusive das forças radicais, i.e., estamos falando de um projeto que, em Catamarca, é consenso em todos os setores políticos”.

Benefícios e prazos

Dusso assinalou que o próprio presidente Fernández “manifestou-se dizendo que não compreendia como, a esta altura dos acontecimentos, e com a demanda crescente de produtos de todo Oriente, não haja uma saída ao Pacífico que tenha a ver com a ferrovia”.

“Uma formação de trem pode levar cerca de 3.500 toneladas, ou seja, pesa 140-150 caminhões. É importante que o transporte seja multimodal para aproveitar os transportes desde os mais econômicos, em primeiro lugar a via fluvial e logo a ferrovia, para logo passar à estrada e que os nossos produtos sejam os mais competitivos possíveis”, explicou.

Ademais, sustentou, “Com este projeto estamos falando de economizar 15 dias de economia em viagens ao Oriente, somadas à vantagem de poder carregar nas águas profundas chilenas navios com cargas de até 400 mil toneladas de mercadoria, contra as apenas 50 mil toneladas que hoje permitem os portos de Buenos Aires e Rosário. Isso significaria altos níveis de competitividade, por exemplo nas carnes, que poderiam economizar 15 dias no transporte até o Oriente, sendo muito conveniente não apenas pela diminuição de custos de fretes como para manter a qualidade dos produtos”, apontou.

E quanto aos prazos, a autoridade contou que, ao falar sobre a obra necessária, os engenheiros da China que visitaram a província “manifestavam que tinham feito coisas muito superiores em termos de dificuldade e esta era uma obra que, entre 24 e 36 meses, poderia estar concluída“.

Neste sentido, o vice-governador enfatizou que a diferença de outras obras a longo prazo, “que se iniciam e alguém as terminará”, esta “é uma obra que, para alinhar todas as coisas necessárias para a sua realização, neste prazo indicado pelos engenheiros, poderíamos estar disfrutando de seus benefícios”. E finalizou, convidando  a “enxergar o país como um todo e não ver apenas as economias para uma escassa região do país, já que este tipo de projetos podem ser o aporte para a economia em geral, para a qualidade de vida de toda a Nação”.

Fonte: Leia a versão original deste artigo, em espanhol, publicado no jornal argentino Página 12, através deste link.